Caminhe sem se render ao medo
“Você pisará o leão e a cobra; com os pés esmagará o leãozinho e a serpente.”
Salmos 91.13
O salmista apresenta quatro animais que representavam perigos reais no mundo antigo: o leão, a cobra, o leãozinho e a serpente. Alguns atacavam com força; outros permaneciam escondidos e surpreendiam suas vítimas. Juntos, simbolizam ameaças de diferentes naturezas encontradas pelo caminho.
A imagem de pisar esses animais comunica vitória sobre perigos que pareciam capazes de interromper a jornada. Aquele que se refugia em Deus não precisa viver paralisado pela ameaça. O Senhor é poderoso para guardar, conduzir e conceder coragem.
Entretanto, o versículo não deve ser usado como incentivo para lidar imprudentemente com animais perigosos nem como promessa de que nenhum cristão será ferido. A Bíblia emprega linguagem poética para proclamar a superioridade do cuidado divino sobre aquilo que ameaça seus servos.
Leões e serpentes também aparecem nas Escrituras como imagens relacionadas ao mal. Pedro compara o diabo a um leão que procura alguém para devorar, 1 Pedro 5.8. No jardim do Éden, Satanás agiu por meio da serpente, Gênesis 3.1-15. Por essa razão, o versículo também pode nos lembrar da vitória de Deus sobre os poderes malignos, embora seu significado não deva ser reduzido exclusivamente a esse aspecto.
Quando os discípulos enviados por Jesus retornaram de sua missão, disseram com alegria: “Senhor, os próprios demônios se submetem a nós pelo seu nome”, Lucas 10.17. Eles reconheceram que a autoridade não procedia deles. Os espíritos se submetiam por causa do nome de Jesus.
Cristo respondeu que lhes havia dado autoridade sobre o poder do inimigo, mas imediatamente corrigiu o foco da alegria deles. Não deveriam alegrar-se principalmente porque os espíritos se submetiam, mas porque seus nomes estavam registrados nos céus, Lucas 10.19-20.
Essa orientação continua necessária. A vida cristã não deve ser construída sobre fascinação por manifestações espirituais, busca de poder ou desejo de demonstrar autoridade. Nossa maior alegria é pertencer a Cristo e ter recebido dele a salvação.
Também precisamos interpretar a expressão “nada lhes causará dano” dentro do contexto do chamado dos discípulos e do conjunto das Escrituras. Muitos deles posteriormente foram perseguidos e mortos. Jesus não estava prometendo ausência absoluta de sofrimento, mas assegurando que o poder do inimigo não impediria o cumprimento da missão determinada por Deus.
Nossa vitória sobre o mal não depende de frases de efeito, coragem natural ou confronto imprudente. Ela está fundamentada na obra de Cristo. Na cruz e na ressurreição, Jesus triunfou sobre os poderes espirituais e garantiu a vitória final de seu povo, conforme Colossenses 2.14-15.
Você não precisa retroceder diante do medo. Caminhe com discernimento, permaneça debaixo da autoridade de Cristo e resista ao mal por meio da fé e da obediência. Sua segurança não está em imaginar-se invulnerável, mas em saber que pertence àquele que venceu.
Para refletir
Seu interesse pela autoridade espiritual tem sido maior do que sua alegria pela salvação?
Existe algum medo que está impedindo você de cumprir uma responsabilidade dada por Deus?
Prática do dia
Identifique um medo que tem dificultado sua obediência. Ore especificamente sobre ele e escolha uma atitude prudente que demonstre confiança em Deus, sem agir de maneira precipitada.
Oração
Senhor Deus, obrigado porque em Cristo encontro salvação e vitória sobre o poder do mal. Livra-me da fascinação pelo poder e da presunção de imaginar-me invulnerável. Dá-me coragem para obedecer, discernimento para reconhecer os perigos e firmeza para resistir ao inimigo. Que minha maior alegria seja saber que pertenço a ti. Em nome de Jesus, o teu Filho. Amém.
Pr. Geziel Damasceno
Transformando vidas pela Palavra.