Clame sabendo a quem você chama
“Ele me invocará, e eu lhe responderei; na sua angústia eu estarei com ele; eu o livrarei e o glorificarei.”
Salmos 91.15
Invocar significa chamar por alguém, pedir auxílio e recorrer a quem possui condições de responder. O salmista não descreve um grito lançado ao acaso, na esperança de que qualquer pessoa o escute. Trata-se de um clamor dirigido ao Deus que se revelou e prometeu estar presente.
A força da oração não está no volume da voz. Algumas orações são pronunciadas em alta voz; outras são expressas em lágrimas, pensamentos ou palavras quase inaudíveis. Ana orou de tal maneira que seus lábios se moviam, mas sua voz não podia ser ouvida, e ainda assim Deus conhecia sua aflição, 1 Samuel 1.10-13.
O que torna a oração significativa não é nossa capacidade de gritar mais alto, mas o fato de nos dirigirmos ao Senhor. Ele conhece o coração antes que consigamos organizar as palavras e compreende necessidades que nem sempre sabemos explicar.
Deus promete: “Eu lhe responderei.” Essa declaração não significa que toda oração receberá exatamente a resposta desejada, no momento escolhido por nós. Algumas respostas serão imediatas; outras exigirão espera. Em determinadas situações, Deus modificará as circunstâncias; em outras, corrigirá nossos pedidos ou concederá graça para suportar aquilo que não será removido.
Paulo pediu três vezes que seu “espinho na carne” fosse afastado. A resposta não foi a retirada do sofrimento, mas a promessa: “A minha graça é o que basta para você”, 2 Coríntios 12.7-9. Deus respondeu, embora a resposta fosse diferente daquela inicialmente desejada pelo apóstolo.
A afirmação central do versículo talvez seja esta: “Na sua angústia eu estarei com ele.” Deus não promete apenas observar o sofrimento de longe. Ele se faz presente. A existência da angústia não significa ausência de fé nem abandono divino.
Davi testemunhou que, em sua aflição, clamou ao Senhor e foi ouvido, Salmos 18.6. Seu testemunho não elimina o período de sofrimento descrito no salmo. Mostra que a angústia se tornou lugar de oração e experiência do socorro de Deus.
Jesus também garantiu aos discípulos sua presença enquanto cumpriam a missão: “E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos”, Mateus 28.20. Essa promessa foi dada no contexto da missão da igreja e nos recorda que Cristo não abandona seu povo enquanto ele caminha em obediência.
Em Jeremias 33.3, Deus disse ao profeta: “Clame a mim, e eu responderei.” Jeremias estava preso quando recebeu essa palavra, e a resposta divina tratava dos planos de restauração para Jerusalém. O versículo não é uma promessa genérica de revelações secretas sobre qualquer assunto. Ele demonstra que Deus podia falar, responder e anunciar esperança mesmo enquanto seu servo permanecia limitado por uma prisão.
Talvez você não tenha forças para formular uma oração longa. Chame pelo Senhor. Conte-lhe sua angústia com sinceridade e permaneça atento à resposta que ele dará por meio de sua Palavra, de sua providência e da sabedoria concedida ao longo do caminho.
Para refletir
Quando você ora, está disposto a receber uma resposta diferente daquela que imaginou?
A presença da angústia tem levado você a concluir que Deus o abandonou?
Prática do dia
Transforme sua principal angústia em uma oração simples, composta por três partes: diga a Deus o que está acontecendo, peça aquilo de que necessita e declare sua disposição para confiar na resposta dele.
Oração
Senhor Deus, em minha angústia, clamo a ti porque sei a quem estou chamando. Tu conheces minha necessidade antes mesmo que eu consiga expressá-la. Responde-me conforme tua sabedoria e ajuda-me a receber tua vontade, mesmo quando for diferente daquilo que desejo. Acima de tudo, permite que eu reconheça tua presença enquanto atravesso este momento. Em nome de Jesus, o teu Filho. Amém.
Pr. Geziel Damasceno
Transformando vidas pela Palavra.