“Peço-te por meu filho Onésimo, que gerei nas minhas prisões; o qual, noutro tempo, te foi inútil, mas agora a ti e a mim muito útil.”
(Filemom 1:10-11 – ARC)
A carta a Filemom é a mais pessoal de Paulo, escrita durante sua prisão. Em poucas linhas, revela o poder do evangelho em transformar destinos. Onésimo, um escravo fugitivo, parecia apenas mais um perdido no meio da multidão de Roma. Mas ao encontrar Paulo, encontrou também a Cristo — e sua vida nunca mais foi a mesma.
Paulo o chama de “filho”, mostrando a realidade do novo nascimento em Cristo. Aquilo que era estéril e inútil, Deus transformou em vida e em utilidade para o Reino. O apóstolo faz um jogo de palavras: “antes te era inútil, mas agora é útil”, ensinando que a graça muda não apenas a condição espiritual, mas também o propósito de uma pessoa.
A história de Onésimo não termina em fuga e vergonha. Segundo a tradição, ele se tornou bispo de Éfeso no fim do 1º século. O inútil tornou-se útil; o escravo tornou-se líder da igreja. Eis a força da obra de Cristo: não importa como alguém começa, mas sim como termina.
Esse contraste também aparece em Marcos e Demas. Marcos começou tropeçando, desistiu no meio da jornada, mas se levantou e terminou de pé, sendo chamado por Paulo de “muito útil para o ministério” (2Tm 4:11). Já Demas, ao contrário, começou honrado, mas terminou vergonhosamente, abandonando a fé “amando o presente século” (2Tm 4:10).
Filemom é uma das chamadas “cartas da prisão”, junto com Efésios, Filipenses e Colossenses. Diferente das demais, seu foco não é doutrinário, mas relacional. Paulo demonstra como o evangelho afeta os relacionamentos mais difíceis, inclusive entre um senhor e um escravo. O tema central é a reconciliação em Cristo, que gera transformação de vida e comunhão verdadeira.
A vida cristã é comparada a uma corrida (Hb 12:1-2). Alguns começam mal, mas terminam bem, como Onésimo. Outros tropeçam no caminho, mas se levantam e completam a carreira, como Marcos. Outros ainda começam honrosos, mas se desviam e terminam de forma trágica, como Demas.
A grande pergunta é: como você quer terminar sua história?
Que possamos, com a graça de Deus, chegar ao fim podendo declarar como Paulo:
“Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.” (2Tm 4:7).
Pr. Geziel Damasceno
Transformando vidas pela Palavra.