TRIFENA, TRIFOSA E PÉRSIDE:

O som ensurdecedor das mãos que trabalham no silêncio

“Saudai a Trifena e a Trifosa, as quais trabalham no Senhor.
Saudai à amada Pérside, a qual muito trabalhou no Senhor.”

Romanos 16.12

 

Há pessoas que brilham sem jamais buscar o holofote. Seus nomes não ecoam nos púlpitos, tampouco são lembradas nas redes sociais; ainda assim, o céu as conhece pelo nome. Assim foram Trifena, Trifosa e Pérside, três mulheres lembradas por Paulo, não por títulos ou cargos, mas por seu trabalho no Senhor.

O verbo usado pelo apóstolo, aspásasthe — “saudai” — é muito mais que um cumprimento. É uma ordem envolta em ternura. Saudar, no sentido paulino, é reconhecer com o coração, abraçar com palavras, honrar com gratidão. Ao dizer “saudai”, Paulo convida a igreja de Roma a olhar para essas mulheres com afeto e respeito. Em outras palavras, ele diz: “Não deixem que o trabalho delas passe despercebido. Lembrem-se delas com amor.”

Trifena e Trifosa, nomes que significam delicadas e suaves, tornaram-se sinônimos de força e perseverança. Elas não apenas serviam; trabalhavam até o cansaço, servindo ao Senhor com firmeza e alegria. O contraste é belo: a delicadeza transformada em vigor, a suavidade vestida de coragem. Deus ainda faz o mesmo hoje, usa mãos simples para mover montanhas.

Nos dias atuais, há Trifenas e Trifosas em cada igreja. Estão nas cozinhas, preparando mesas com zelo e amor; na diaconia, cuidando para que tudo esteja pronto para o culto; na recepção, acolhendo com um sorriso; no ministério infantil, ensinando os pequenos a amar Jesus; ou ainda na intercessão, ajoelhadas em secreto enquanto outros ministram em público. Essas servas não buscam aplausos; seu prazer está em servir ao Senhor.

Pérside, chamada “a amada”, é lembrada pelo que já fez. O tempo verbal muda: ela “muito trabalhou”. Talvez já não estivesse em plena atividade, mas sua história de fidelidade permanecia viva. Paulo a cita como um memorial de amor. Em Cristo, nenhum serviço passado é esquecido; cada esforço, cada lágrima e cada gesto permanecem registrados no coração de Deus.

Trifena, Trifosa e Pérside são o retrato de um Reino que se sustenta por mãos fiéis, constantes e silenciosas, mas profundamente comprometidas. Elas nos lembram que o verdadeiro valor está em servir e que o trabalho feito no Senhor, ontem ou hoje, nunca é em vão (1Co 15:58).

Talvez você não esteja no púlpito nem no centro das atenções. Mas, se o que faz é “no Senhor”, então o céu te vê. A igreja precisa reaprender a “saudar”, não apenas com palavras, mas com reconhecimento e amor. Paulo transformou uma simples lista de nomes em um altar de gratidão. Que façamos o mesmo: honrar os fiéis, lembrar os cansados e celebrar os que servem, porque Deus nunca esquece quem trabalha com amor.

 

Geziel Damasceno

Geziel Damasceno é casado com Luciana Damasceno há 27 anos e tem dois filhos, Nathália e Guilherme, além de ser avô de Sophia. Ele é graduado em Gestão de Negócios pela Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, e possui uma trajetória profissional de dezenove anos na CPAD. Em 2015, foi consagrado pastor pela COMADELEST (Convenção dos Ministros das Assembleias de Deus no Leste do Estado de Minas Gerais e Outros) quando também tornou-se membro da CGADB. Durante quase cinco anos, Geziel pastoreou uma das extensões do Ministério Mais de Cristo em Palhoça, na região metropolitana de Florianópolis. Atualmente, ele dedica-se em tempo integral ao pastorado na capital, onde lidera a Equipe de Comunhão do ministério. Além de suas responsabilidades pastorais, Geziel Damasceno também é escritor e lidera o presbitério de sua igreja.

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