Quando a justiça de Deus se torna visível
“Somente com os seus olhos você contemplará e verá o castigo dos ímpios.”
Salmos 91.8
O Salmo 91 não apresenta apenas promessas de proteção. Ele também afirma que o mal não permanecerá impune para sempre. O salmista declara que aquele que se refugia em Deus contemplará o castigo dos ímpios.
Essa afirmação precisa ser compreendida com cuidado. O texto não nos autoriza a desejar o sofrimento das pessoas nem a celebrar sua destruição. A justiça de Deus não deve alimentar sentimentos de vingança. Ela deve nos ensinar que o Senhor vê o mal, conhece suas vítimas e julgará com retidão.
Em alguns momentos, temos a impressão de que a injustiça prevalece. Pessoas desonestas prosperam, os violentos parecem não enfrentar consequências e aqueles que procuram agir corretamente sofrem. Essa aparente contradição também perturbou o autor do Salmo 73. Ele quase perdeu a confiança ao observar a prosperidade dos ímpios. Sua compreensão mudou quando entrou no santuário de Deus e discerniu o destino final deles, Salmos 73.16-17.
Nossa visão está limitada ao presente. Deus, porém, contempla toda a história e conhece não apenas as ações visíveis, mas também as intenções do coração. Nenhuma injustiça passa despercebida diante dele, mesmo quando os tribunais humanos falham ou as consequências demoram a aparecer.
Ver o castigo dos ímpios não significa necessariamente assistir pessoalmente à queda de alguém. A linguagem aponta para o reconhecimento de que a justiça divina finalmente prevalecerá. Algumas consequências aparecem ainda nesta vida; outras serão reveladas no juízo de Deus.
Por isso, não precisamos assumir o lugar do juiz nem retribuir o mal com o mal. O apóstolo Paulo orienta: “Não se vinguem, meus amados, mas deem lugar à ira de Deus”, Romanos 12.19. Entregar a justiça ao Senhor não significa tratar o pecado com indiferença. Significa procurar os meios legítimos de proteção e reparação sem permitir que a vingança domine o coração.
Ao mesmo tempo, a realidade do juízo deve despertar compaixão e responsabilidade evangelística. Deus declara que não tem prazer na morte do ímpio, mas deseja que ele se converta de seu caminho e viva, Ezequiel 33.11. Se alguém ainda pode se arrepender, nossa primeira resposta não deve ser desejar sua destruição, mas anunciar-lhe a verdade.
Você pode confiar que Deus fará justiça. Não precisa carregar sozinho o peso de corrigir todas as injustiças nem alimentar continuamente o desejo de vingança. Entregue ao Senhor sua causa, procure ajuda quando necessário e permita que ele preserve seu coração do ódio.
Para refletir
Existe alguma injustiça que tem alimentado em seu coração o desejo de vingança?
Você consegue confiar na justiça de Deus sem desejar a destruição daquele que lhe causou sofrimento?
Prática do dia
Apresente a Deus uma injustiça que ainda produz revolta em seu coração. Se houver necessidade de denúncia, proteção ou reparação, identifique uma providência legítima que deve ser tomada. Depois, renuncie ao desejo de vingança pessoal.
Oração
Senhor Deus, tu és justo e conheces todas as coisas. Entrego-te as injustiças que sofri e aquelas que não consigo corrigir. Dá-me coragem para buscar proteção e reparação pelos meios corretos, mas não permitas que o ódio domine meu coração. Ajuda-me a confiar em teu julgamento e concede oportunidade de arrependimento àqueles que praticam o mal. Em nome de Jesus, o teu Filho. Amém.
Pr. Geziel Damasceno
Transformando vidas pela Palavra.