Morada ou casa de temporada?
“Você disse: ‘O Senhor é o meu refúgio.’ Você fez do Altíssimo a sua morada.”
Salmos 91.9
Uma morada é o lugar no qual estabelecemos nossa vida. É para ela que retornamos depois das atividades diárias, onde construímos relacionamentos e guardamos aquilo que consideramos importante. Uma casa de temporada, por sua vez, é visitada apenas em ocasiões específicas e conforme a conveniência de seu proprietário.
Essa comparação nos ajuda a examinar nosso relacionamento com Deus. Algumas pessoas se aproximam do Senhor apenas quando enfrentam dificuldades. Durante as enfermidades, crises financeiras ou conflitos familiares, procuram oração e demonstram interesse pela Palavra. Quando o problema passa, afastam-se novamente.
O Salmo 91 não descreve Deus como abrigo temporário. Ele fala sobre fazer do Altíssimo nossa morada. Isso significa desenvolver uma comunhão que não dependa das circunstâncias. Procuramos o Senhor nos dias difíceis, mas também permanecemos com ele nos dias tranquilos. Oramos quando precisamos de socorro e continuamos orando depois que a resposta chega.
A permanência em Deus também influencia nossa relação com a igreja. A vida cristã não foi planejada para ser vivida em isolamento. Somos chamados a congregar, servir, receber cuidado, prestar contas e caminhar ao lado de outros discípulos. Hebreus 10.24-25 nos orienta a estimular uns aos outros ao amor e às boas obras, sem abandonar nossa congregação.
Entretanto, fazer de Deus nossa morada não significa que um cristão jamais poderá mudar de igreja. Existem mudanças motivadas por distância, necessidades familiares, chamado ministerial, divergências doutrinárias sérias ou situações de abuso. Permanecer em uma comunidade não exige tolerar manipulação, violência ou ensino contrário às Escrituras.
O problema aparece quando a mudança constante resulta apenas da recusa em criar vínculos, receber orientação ou assumir responsabilidades. Quem procura uma comunidade perfeita não a encontrará. Toda igreja local é formada por pessoas que ainda estão sendo transformadas pela graça.
Também precisamos ter cuidado para não confundir conhecimento religioso com comunhão. É possível reunir informações, acompanhar muitos pregadores e discutir teologia sem cultivar oração, obediência e amor ao próximo. Conhecer conteúdos sobre Deus não é necessariamente o mesmo que caminhar com ele.
Na parábola contada por Jesus, o filho mais velho permaneceu fisicamente na casa do pai, mas seu coração estava distante, conforme Lucas 15.25-32. Isso mostra que presença exterior não substitui comunhão verdadeira. Podemos frequentar reuniões e, ainda assim, resistir à graça, ao perdão e à vontade do Pai.
Por outro lado, alguém que se afastou não deve concluir que perdeu definitivamente o caminho de volta. Deus recebe o arrependido e restaura aquele que retorna com sinceridade. Se você está distante, aproxime-se novamente. Se foi ferido por uma comunidade, procure ajuda segura e não confunda a falha de pessoas com o caráter de Deus.
Faça do Altíssimo sua morada. Permaneça em sua presença, aprofunde suas raízes na Palavra e procure viver em comunhão responsável com o corpo de Cristo.
Para refletir
Você procura Deus diariamente ou somente quando precisa de uma resposta urgente?
Sua relação com a igreja é marcada por comunhão e serviço ou apenas pelo consumo de conteúdos e reuniões?
Prática do dia
Avalie uma atitude concreta que pode fortalecer sua comunhão com Deus e outra que pode fortalecer seu compromisso com a comunidade cristã. Coloque pelo menos uma delas em prática ainda nesta semana.
Oração
Senhor Deus, não quero procurar-te apenas nos momentos de necessidade. Faz de tua presença a morada permanente de minha vida. Ensina-me a permanecer em tua Palavra, a cultivar comunhão sincera e a servir com responsabilidade no corpo de Cristo. Cura as feridas produzidas por relacionamentos e concede-me sabedoria para caminhar em uma comunidade saudável e fiel às Escrituras. Em nome de Jesus, o teu Filho. Amém.
Pr. Geziel Damasceno
Transformando vidas pela Palavra.