Tenho por costume dizer, quando estou pregando, que a mensagem que Deus coloca em meu coração é primeiro para mim. Se ela corrige a igreja, antes precisa me corrigir. Se confronta alguém, antes precisa me confrontar. Nunca devemos nos colocar acima da Palavra que anunciamos.
Talvez por isso uma notícia destes dias tenha me levado a uma reflexão.
Tomei conhecimento da morte de Jim Bakker, ocorrida em 5 de outubro de 2026. Imediatamente me lembrei de Jimmy Swaggart, que faleceu no ano passado. Há uma coincidência curiosa na história desses dois homens. Em 1987, Bakker enfrentou sua queda pública; no ano seguinte, em 1988, foi Swaggart quem caiu. Décadas depois, seus nomes voltam a se aproximar no calendário: Swaggart deixou-nos em 2025; Bakker, em 2026.
Não atribuo a isso qualquer significado especial. Mas é difícil recordar a história de um sem lembrar a do outro. E agora, com ambos já tendo encerrado sua passagem por esta vida, aqueles acontecimentos ganham para mim um sentido diferente. Não despertam vontade de julgar. Despertam temor.
Quando o escândalo envolvendo Jim Bakker veio a público, Jimmy Swaggart foi uma das vozes mais veementes em sua condenação. Sua posição foi pública e severa. Havia pecado a ser tratado, e isso precisa ser reconhecido. A igreja não foi chamada a esconder erros nem a proteger reputações. O problema não está em corrigir o pecado. O problema começa quando quem corrige se esquece de que continua sujeito à mesma Palavra e às mesmas tentações.
“Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado.”
Gálatas 6.1
A expressão final é muito séria: “guarda-te”.
No ano seguinte à queda de Bakker, era Jimmy Swaggart quem aparecia diante de sua igreja confessando uma falha moral de natureza sexual. O homem que havia sido tão severo diante da queda de outro ministro agora precisava enfrentar a própria.
“No que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; porque praticas as próprias coisas que condenas.”
Romanos 2.1
Isso não significa que nunca devemos confrontar o erro. Significa que ninguém pode corrigir o outro esquecendo-se de vigiar a si mesmo.
Lembro também do episódio de Noé. Depois de sua embriaguez, Cam viu a nudez do pai e contou aos irmãos. Sem e Jafé agiram de maneira diferente: entraram de costas e cobriram Noé. Gênesis 9.20-27 não é um texto sobre disciplina ministerial, mas apresenta uma imagem que merece nossa atenção. Existe uma forma de lidar com a fragilidade alheia sem transformá-la em espetáculo.
Talvez este seja um dos perigos do nosso tempo. Pastores e líderes podem tornar-se rápidos para comentar quedas, expor erros e emitir condenações, quando deveriam perguntar primeiro de que maneira podem contribuir para cura, correção e restauração.
A igreja precisa de pastores que sejam remédio para feridas, não veneno para quem já está enfermo.
Por isso, quando um irmão cai, especialmente quando um ministro cai, a pergunta do pastor maduro, “Como isso aconteceu com ele?”, deveria vir acompanhada de uma oração igualmente necessária:
“Senhor, guarda também o meu coração.”
Jim Bakker caiu. Jimmy Swaggart foi severo em sua condenação. Pouco tempo depois, Swaggart também caiu.
A lição não está em decidir qual dos dois foi pior. Está em reconhecer que ninguém recebe imunidade contra a tentação simplesmente porque aprendeu a condená-la nos outros.
Quando a Palavra estiver em nossa boca para corrigir alguém, que ela permaneça primeiro sobre o nosso próprio coração.
“Guarda-te para que não sejas também tentado.”
Pr. Geziel Damasceno
Transformando vidas pela Palavra.
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